sexta-feira, 18 de março de 2011

Quarenta e um

Desligou-se por um momento e desejou ser como aquela criança. A menina de vestido branco com lacinhos rosa e com sapatos de boneca andava com firmeza e calma, de mãos dadas com sua mãe.

Desejou ser aquela infância representada, ter novamente aquele olhar puro, o sorriso limpo e absoluto, os passos amparados, a mão entreleçada a uma mão auxiliadora que conduz pelos caminhos corretos.

Desejou aquela ausência de dor, aquela ausência de cobranças, aquele mundo ao redor constituído só por quem amamos, aquele amor incondicional, sem trocas.

Quis de volta aquela beleza inerente ao fato de ser criança, aquela simplicidade de ser, viver e existir.

Aprender a andar foi fácil, ela se recordou. Mais difícil que ficar parado, o difícil é saber andar.

É solo acidentado para tudo que é chão, que fazem dor se em contato com a face.

“É pedra para todo lado...”, pensou.

Nesse mesmo instante, a menina observada soltou-se das mãos da mãe e pulou uma enorme pedra no caminho.

1 comentários:

  1. Sensibilidade dígna. Belo texto!
    Saudade dos "jardins da infância".

    ps: obrigada pelo comentário, veio em boa hora; deu ânimo a quem estava a um passo de engavetar muitos escritos.

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