sábado, 14 de janeiro de 2012

Quarenta e oito.

Um dia escreveu Vinicius de Moraes:



"De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure." {Soneto de Fidelidade.}

Concordo com o Poetinha. Sejamos infinitos enquanto dure, sejamos intensos. Se cada amor tem a sua data de validade que os verdadeiros durem muito e que as eternidades sejam eternamente intensas.
Sejamos infinitos, sejamos atentos.
Há amores que carecem de palavras, há amores que transbordam de olhares que bastam.
Deixemos o amor ir, vir e fluir. Que não seja imortal, posto que é chama. O amor caminha, gira, circula, vai e vem, se acaba de um lado, nasce em outro, renasce no mesmo.
“Futuros amantes, quiçá, se amarão sem saber com o amor que eu um dia deixei pra você”, já diria Chico, afinal o amor não é orgânico, ele se recicla, precisamos somente cuidar.

sábado, 13 de agosto de 2011

Quarenta e sete

Saudade.

abraço a tua ausência
ela preenche os meus braços
chego a sentir o teu cheiro
eu beijo o ar
e
desfaço-me.
 
(Líria Porto)

 

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Quarenta e seis

As palavras, leio. Em palavras, creio. Entre palavras, meio:
Uma metapoética aberta e límpida sempre à minha espera.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Quarenta e cinco

Nada nunca foi tão bom...

  "Eu estou com medo. Você é perfeito pra mim. Muito. Todo. Da voz ao tamanho do pau. Agora eu não acho nada, não penso nada, não quero mais saber de nada. Me abandonei em você."

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Quarenta e quatro

E quando você volta a si após 4 noites insones dedicadas energicamente à poesia marginal, ao som de valsas de Yann Tiersen, enchendo taças e ignorando bouquets do Malbec mais tinto que sua adega possuía e se depara consigo mesma perguntando a si:
Estou em coma alcoólico ou é verdade que estou sofrendo de um mal que não existe e sentindo falta de algo que NÃO aconteceu?
E se assusta com a sua própria voz, que sussurra: ‘Fingida. Fin-gi-da. Você é uma pessoa fingida!
Não sente nada. Inventa e cria e vive sua verdade inventada’.
 E sabe que suas palavras são seguras, sim.  Afinal, quando tudo (no caso específico, NADA) evapora, para onde é que você volta?
E o Pessoa que existe em você (desde os 13), grita: “O poeta é um fingidor. Finge tão completamente que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente!”


Trilha Sonora aqui.

*Nota da autora: Sim, eu li Fernando Pessoa aos 13.
Sub linhas em respeito e com louvor.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Quarenta e três

Ninguém se cura de nada, nunca. A dor são poros por onde transpira a escrita. Tudo sobra em mim, ao mesmo tempo não há nada em mim. Nem ninguém.

Eu sofro de nada. E de ninguém.



*(Por Clarah Averbuck, em Nome Próprio)

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Quarenta e dois


Carta para Zé M.

Sabe, nunca escrevi para você. Nunca tive vontade mas agora, sabem lá deuses porque; tenho. Espontaneamente tenho e as palavras de um poeta transbordam o que a cabeça está cheia. Acho que ninguém vai ler, tampouco você, portanto escrevo.
Até que gostava do seu jeito desbocado, da sua voz grossinha e impostada de semi- homem e imaginei muitas vezes essa mesma voz sussurrando em meus ouvidos ou xingando palavrões ao admirar o que tivesse de belo em meu corpo nu. Ou ainda, esbravejando ordens sujas e palavras carinhosas no diminutivo na mesma frase.
Adorava seu cabelo liso semi louro acinzentado (ou apenas castanho claro qualquer tipo), seu nariz perfeitinho, seu sorriso bonito que nunca senti. Adorava o fato de você não ser nem menino, nem homem, sim apenas um rapaz. E, me dispo de vergonha ao te contar que já te dediquei rimas pobres, perdida entre meus toques de digitais enrugadas, em atitudes solo dedicadas a você.
E toda vez que dizia querer casar com você, era a forma mais pura do meu desejo de me dar a você, completa. Queria casar na cama. E no sofá, na escada, no chão...
Achei que seu frescor de ser apenas um rapaz desbocado ( e que me dizia coisas fofas na mesma proporção, de maneira inesperada) te deixaria viver essa nossa paixão sem precedentes, de maneira eloquente, sem pensar nem teorizar, apenas viver e gozar muito com isso.
Por você ter se fixado a uma reponsabilidade imbecil e que não te cabe, você é um filho da puta. Por ter impedido que a gente despejasse um no outro tudo aquilo que ambos queriam beber, você é um filho da puta. E se teve medo (ou se inventou esse medo) de qualquer coisa, você é um filho da puta (e covardezinho que não sabe viver). E NÃO quero te ofender. E nem sinto nada por você, nem o que disse que sentia, nem raiva, nem amor, nem nada. Afinal, não te conheço. Só queria loucamente sentir teu gosto, que mal há nisso?
... Queria tanto você... de verdade, na vida real. E poderia ter sido simples. E do meu jeito, de uma imperfeição perfeita.
Enfim, acho que essa (im)perfeição toda existe só na minha cabeça.
Queria que os fatos correspondessem às nossas ideias. E nunca quis ser superior a você. Eu sou. Se nunca fui antes, a maneira que você vai reagir após esse texto me fará supor ser.







* Ouvindo Zé, de Vanessa da Mata

sexta-feira, 18 de março de 2011

Quarenta e um

Desligou-se por um momento e desejou ser como aquela criança. A menina de vestido branco com lacinhos rosa e com sapatos de boneca andava com firmeza e calma, de mãos dadas com sua mãe.

Desejou ser aquela infância representada, ter novamente aquele olhar puro, o sorriso limpo e absoluto, os passos amparados, a mão entreleçada a uma mão auxiliadora que conduz pelos caminhos corretos.

Desejou aquela ausência de dor, aquela ausência de cobranças, aquele mundo ao redor constituído só por quem amamos, aquele amor incondicional, sem trocas.

Quis de volta aquela beleza inerente ao fato de ser criança, aquela simplicidade de ser, viver e existir.

Aprender a andar foi fácil, ela se recordou. Mais difícil que ficar parado, o difícil é saber andar.

É solo acidentado para tudo que é chão, que fazem dor se em contato com a face.

“É pedra para todo lado...”, pensou.

Nesse mesmo instante, a menina observada soltou-se das mãos da mãe e pulou uma enorme pedra no caminho.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Quarenta


Rio em Janeiro

40 graus, sol brilhando até as 8 da noite, chuva de guarda-sóis nas praias lotadas, temporais todo fim de tarde, enchentes, trânsito caótico, a lua que surge linda após os temporais, o aroma das ruas em seu verão e em suas noites.
A Lapa mais boêmia do ano, samba e corpos bronzeados, as noites mais lindas do mundo.
Rio, quem te conhece não te esquece.



Trilha perfeita: Samba do avião, de Tom Jobim.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Trinta e nove


Desejo viver e sorrir às rosas.
Cumprir o caminho do afago.
Estar pronta ao sorriso e ao fim.
Me despir da vergonha e da dor.
Abrandar os moinhos da primavera e,
verissímamente olhar os lírios do campo.
Afogar-me nas bocas mais lhanas.
E com leveza, mentir para todos com a minha mais pura verdade.
Desejo viver e sorrir às rosas.
E, ao caminho, me revelar.
A largos passos, me reunirei.
Na madrugada, juntei meus retalhos e desejei.
Desejei viver e sorrir às rosas.
E, na manhã pequena, me despi e vesti com flores, com rosas.